Que informação vale o esforço de registar
O ponto de partida são as decisões e os respetivos motivos. Saber que uma integração envia dados num único sentido é útil, mas saber porquê, por exemplo, para evitar alterações em dois sítios, impede que alguém a modifique mais tarde sem perceber o que está em causa. A isto juntam-se as responsabilidades e os contactos de referência: quem validou a decisão, quem responde por cada sistema, por cada tipo de dado e por cada aprovação, e a quem recorrer se for necessário alterá-la. A distribuição de responsabilidades entre plataformas foi desenvolvida no artigo sobre como definir o papel de cada sistema na operação da empresa.
Para as integrações, interessa registar que dados circulam, em que sentido e com que frequência, de modo a que a empresa saiba o que depende de quê, tema que abordámos no artigo sobre como escolher a forma de integrar sistemas empresariais. Quanto às configurações, aos ambientes e aos acessos, a empresa deve saber onde estão alojados os sistemas, que contas existem, quem as gere e qual é o procedimento autorizado para recuperar o acesso. Isto evita que a empresa perca o controlo de um sistema quando muda a pessoa que o geria. Documentar acessos não é registar palavras-passe nem reuni-las num documento: as credenciais devem continuar protegidas por mecanismos apropriados, controlados pela empresa.
Por fim, os procedimentos de operação, manutenção e recuperação: como se reinicia um processo que falhou, como se corrige um registo, quem contactar e o que fazer quando a ligação entre dois sistemas deixa de funcionar. No software à medida, é útil separar duas coisas. Importa definir desde o início que documentação técnica será necessária para operar, manter e evoluir a solução, bem como as condições em que será disponibilizada ao cliente. Já o direito de aceder ao código-fonte, de o utilizar ou de o modificar depende das condições contratuais acordadas com o fornecedor, e não é garantido pelo simples facto de o software ter sido desenvolvido à medida.