Como os requisitos influenciam as decisões tecnológicas
Vale a pena distinguir três planos: as obrigações legais, interpretadas pela empresa com os seus assessores jurídicos ou de conformidade; as boas práticas, como rever periodicamente os acessos; e as decisões de arquitetura, que concretizam umas e outras. Se uma empresa tem de conservar certos registos durante um período definido, por exemplo, escolhe um sistema que permita aplicar os prazos e as regras definidos, em vez de os deixar em caixas de correio ou pastas partilhadas sem controlo. Esta lógica, frequentemente designada por compliance by design, consiste em considerar os requisitos de conformidade desde a conceção dos sistemas e dos processos, em vez de os tratar como correções posteriores.
O ponto de partida é um levantamento dos dados que a empresa trata e dos requisitos que lhes estão associados. Atribuir a cada tipo de dado um responsável e um sistema de referência evita situações como a de uma morada corrigida no sistema comercial mas não no sistema de faturação, em que cada equipa trabalha com a sua versão. É a ideia da fonte única de verdade, que explicámos no artigo sobre como construir uma fonte única de verdade nos sistemas da empresa: um princípio de consistência e de governação, e não a obrigação de concentrar tudo numa só plataforma. Outras plataformas podem manter cópias, desde que esteja definido quem as atualiza e qual é a informação de referência em caso de divergência.
Os acessos e a conservação seguem a mesma lógica. Perfis de acesso por função, revistos de tempos a tempos, ajudam a evitar permissões de administrador atribuídas só para não depender da equipa técnica. Na conservação, é necessário definir durante quanto tempo se mantém cada tipo de registo, em que sistema e quem o arquiva ou elimina, com prazos confirmados por quem tem competência para os interpretar. As cópias noutros sistemas e em cópias de segurança podem dificultar a eliminação completa, por isso convém saber onde a informação existe.