Quando a automação agrava o problema
Existem situações em que a automação não falha só na resolução de um problema, mas transforma-o num problema de natureza diferente e mais difícil de tratar, como por exemplo, a propagação automática de dados entre sistemas.
Por exemplo, uma empresa tem os respetivos dados de clientes num CRM e num sistema de faturação, com sincronização manual entre os dois. Esse processo manual é lento e sujeito a erros, pelo que se decide automatizá-lo e assim, passa a existir uma rotina que replica automaticamente os dados de um sistema para o outro, sempre que há uma atualização. O resultado parece imediato: menos trabalho e mais rapidez, mas se os dados de origem forem inconsistentes (se um contacto estiver duplicado, se uma morada estiver incompleta ou se houver campos com formatos distintos) a automação não resolve essa inconsistência, irá distribuí-la. Isto faz com que o erro que antes estava localizado num sistema passa a existir em vários pontos da operação, e rastreá-lo torna-se significativamente mais complexo.
Outra situação igualmente comum é o da atualização automática de estados em fluxos de trabalho. Se a lógica que determina quando um processo deve avançar não estiver bem definida, ou se os dados que alimentam essa lógica não forem fiáveis, um processo pode completar etapas que não deveria ter completado, sem que ninguém receba qualquer alerta.
Quando o problema era manual, havia sempre um momento em que alguém o via, mas com automação, este problema percorre o sistema antes de ser detetado, e quando for detetado, possivelmente já produziu efeitos difíceis de desfazer.